O que acontece quando a criança se irrita?

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Conhecer as emoções, ter a oportunidade de reconhecer o caminho dos nossos pensamentos que geram determinadas emoções e as sensações do nosso corpo durante a emoção é fundamental para o ajustamento do ser humano. Uma criança que aprende sobre isso tem o favorecimento da construção das relações sociais positivas, sucesso escolar, controlo dos impulsos e autoconfiança. As crianças emocionalmente competentes são capazes de regular adequadamente as emoções, possuem mais recursos e estão mais aptas a resolver problemas e a lidar com os acontecimentos da vida mais estressantes.

Cada emoção tem uma função específica no desenvolvimento que pode favorecer a adaptação da criança aos diversos contextos. Alguns exemplos disto: o medo ajuda a regular ações impulsivas; a vergonha pode facilita o ajustamento social; o prazer promove o estabelecimento e manutenção das relações interpessoais adequadas; a culpa promove o sentido de responsabilidade e expressão do comportamento empático; a raiva permite mobilizar estratégias de confronto. Logo, é importantíssimo que a criança aprenda a se permitir sentir tudo isso. Principalmente por que as emoções apresentam um papel super importante no ajustamento social e psicológico, bem como no desajustamento também quando não são bem conduzidas.

Então como eu posso ajudar minha criança a lidar com emoções como a raiva e a irritabilidade?

É bem verdade que nada funciona como mágica quando se trata de educar crianças. Muitas vezes você irá precisa repetir a mesma orientação e a usar a mesma estratégias 50 vezes. E assim terá que ser, até que a criança consiga aprender. Por que o aprendizado algumas vezes exige além da sua capacidade de ensinar….exige que a criança tenha maturidade para aprender o que está sendo ensinado. Então, ter paciência e se livrar das expectativas é o primeiro segredo. Depois, é preciso avaliar se você sabe como conduzir, neste caso, a irritação em você mesmo pra que depois você consiga ensinar sobre isso a alguém (o seu filho ou filha). A gente não pode ensinar aquilo que não sabe, não é mesmo? Então, o segundo passo é trabalhar a forma como você lida com as emoções, conhecer seus gatilhos, reconhecer pensamentos automáticos, trabalhar crenças, emoções e comportamentos, portanto, pode ser que além do seu filho você também precise de ajuda…corra atrás dela! Por fim, entram as estratégias ou ferramentas que serão usadas diretamente com a criança. Há inúmeras e cabe ao adulto escolher aquelas que mais fazem sentido.

 

Aqui seguem  algumas orientações de como ajudar a criança a lidar com irritação:

  • Ajudar a compreender o que sente, o que deseja e como conseguir. Quando sente algo negativo, explicar que é natural e procurar uma solução construtiva;
  • Ajudar a acalmar-se em situações de tensão (respirar fundo, pensar em coisas positivas). Elogiar sempre que demonstre capacidade de autorregulação;
  • Utilizar a linguagem dos sentimentos “Estou orgulhoso de ti”, “Estás triste porque não podes jogar Tablet”;
  • Centrar-se nos sentimentos positivos embora falar igualmente sobre os negativos.
  • Falar com a criança sobre as emoções – favorece a aprendizagem na expressão dos sentimentos e na regulação das emoções;
  • Evitar dizer “Não fiques triste”– A criança tem o direito a ficar triste, deve sentir e aprender a regular esta emoção para que se possa adaptar.
  • Nomear as emoções, encorajando a criança falar – Sem a julgar ou criticar, deve ouvir a sua experiência. Pode relacioná-la com situações passadas vivenciadas pelo adulto, descrevendo os seus sentimentos e como procedeu.
  • É importante ensinar as crianças a controlarem os seus comportamentos e pensamentos e a falarem sobre os sentimentos. A capacidade de falar sobre o que sente ajuda a criança na regulação das emoções e dos comportamentos negativos, favorecendo a expressão de sentimentos e a troca de afetos.
  • Após uma situação de conflito, a criança apresenta uma desregulação emocional elevada. Por isso é importante que os pais apenas nomeiem a emoção e deem espaço à criança para se acalmar. “O que sentes agora é raiva. Falamos mais tarde”.

 

Ana Flora Medeiros

Psicóloga Parental

Pós graduada em Parentalidade e Educação Positivas

Especialista em Neuropsicologia

Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento

 

 

 

 

 

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