Por que as pessoas negam os traumas de infância?

instasize_181004131949

 

Minha infância foi normal. Houve coisas boas e algumas coisas ruins – mas assim é a vida.

 

Minha mãe ficava com raiva quando eu não fazia algo direito ou agia mal, e meu pai me batia com um cinto, mas foi para o meu próprio bem. Isso me ajudou a me tornar a pessoa que sou hoje, com caráter.

 

Meus pais eram autoritários, mas era por amor.

 

Sim, algumas pessoas foram abusadas na infância, mas eu não, não tenho trauma algum.

 

Frases como essas provavelmente vem de pessoas que negam traumas de infância. Quando escuto pessoas falando assim, seja em contexto terapêutico ou em qualquer outro vejo claramente uma criança ferida.

Historicamente, os traumas de infância são questões comuns. Sempre aconteceu e ainda acontecem. Mas por ser comum não significa que precisam continuar acontecendo.

Por que exatamente as pessoas negam esses traumas? Ou negam que na sua infância houveram coisas ruins?

As principais razões são:

– Amnésia funcional:  As pessoas esquecem fatos que aconteceram durante sua infância pois a consciência entende que trazer essas memórias à tona é um risco. Portanto as crianças não tem outra escolha a não ser colocar todas as memórias traumáticas no inconsciente para seguir em frente. Trazê-las de volta a consciência pode ser um processo doloroso, mas fundamental para que a pessoa compreenda sua própria história.

– Ignorância ou Indiferença: Quando crianças apanham, por exemplo, elas não entendem o contexto por trás do episódio de apanhar, ou seja, não entendem se a mãe ou pai tem algum problema, a razão de estarem batendo, a história psico-emocional dos pais e nem entendem o que é abuso, negligência, abandono, trauma, infância saudável…a única coisa que entendem é que alguém está batendo e aquilo machuca (PONTO). Passar por isso na infância e não investigar e tentar compreender significa crescer sem ter a compreensão dessas questões, o que leva a ignorância ou indiferença. Justamente por este motivo existem tantas pessoas que não sabem o que é e nem da importância na saúde mental/emocional

-Síndrome de Estocolmo: Quando uma vítima desenvolve sentimentos de afeto pelo agressor. Quando uma criança sofre violência mas entende que precisa daquele adulto para sobreviver e desenvolve um vínculo (doentio). “Minha mãe me bate, ela é ruim….mas não posso ter uma mãe ruim e nem ter outra mãe, logo minha mãe é boa”.

– Imposição de culpa/vergonha/medo: Crianças que se traumatizam não julgam racionalmente o comportamento dos seus pais e culpam a si mesmo pelos abusos que sofreram. sta é a origem da culpa crônica, vergonha, sentimento de culpa e falta de confiança em si mesmo. Emocionalmente, isso é muito doloroso, por isso as crianças (que mais tarde se tornam adultos) tentam evitar essa dor, se livrar dela ou aliviá-la. É mais fácil simplesmente dizer: “Minha infância foi normal”, e continuar o processo de dissociação.

– Medo Social: Adultos temem falar sobre uma infância traumática por medo do que os outros pensar sobre ele.

Fonte: http://blog.selfarcheology.com/2013/10/why-people-deny-childhood-trauma-and.html

 

Ana Flora Medeiros

Psicóloga Parental

Pós-graduada em Parentalidade Positiva

Especialista em Neuropsicologia

Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento

http://www.acolhedoradepais.com

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close