De onde vêm as birras? Por que elas acontecem?

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A maioria de nós aprendeu que diante de uma birra ou de uma expressão de um sentimento como a raiva há duas coisas a serem feitas: ignorar a criança ou colocá-la de castigo. Fazer diferente pode implicar que a criança se torne um tremendo manipulador e sem limites. Será que é assim mesmo?

Você sabe de onde vêm as birras?

De uma forma prática pra o entendimento podemos dizer que o cérebro tem dois andares: o de cima e o de baixo. Logo, as birras, a expressão da raiva, da frustração poderão ser procedente de um desses andares. Se vier do andar de cima, foi uma decisão que a criança tomou usando a razão. Ela DECIDIU gritar, dizer algo que pode agredir o outro,e tomou essa decisão pois pode ser uma tentativa de tirar os pais do sério e conseguir o que quer. E se esse for o caso, certamente você saberá e deverá falar sobre limites e sobre comportamentos e não ceder ao que a criança deseja (se assim for importante pra você).

Ser firme e estabelecer limites (sem perder o controle) irá ensinar sobre controle de impulsos, paciência, comunicação positiva e respeito. A criança deixará de recorrer a essa estratégia se ela não surtir efeito .

Além das birras do andar de cima existem as do andar de baixo. E essas são completamente diferentes. Mais comuns nas crianças até 3 anos, mas totalmente possíveis de acontecer em qualquer idade, inclusive nos adultos. É quando criança fica completamente perturbada, tem uma explosão emocional e não consegue usar o andar de cima para controlar o corpo ou as emoções, se tornando incapaz de refletir sobre qualquer coisa. Pode acontecer também através de uma expressão verbal como “EU TE ODEIO”. O que precisamos fazer é agir de uma maneira que tire a criança do caos. Dependendo da situação poderá ser um abraço ou uma voz calma. Assim que a criança se acalmar, poderá através da conversa, tentar integrar os dois andares.

E como pode ajudar a criança a fazer essa integração?

O mais coerente a ser feito, é tentar não deixar o andar de baixo pior ainda. Quando uma criança por exemplo fala “EU TE ODEIO!” Se você repsonder – “Nossa! Está mesmo zangada”-  estamos acolhendo a emoção da criança e criando uma possibilidade de convidar o andar de cima para se juntar ao de baixo. Ou seja, usar a razão para administrar a emoção. Assim, convidamos a criança para refletir sobre o que a fez sentir raiva e como ela poderia resolver o conflito. Ao fazermos isso estamos ensinando sobre tomada de decisão, sobre gestão emocional e sobre o impacto do que diz nos outro. Ao invés de reagirmos também enraivecidos, praticamos autorregulação e ensinamos sobre isso aos nossos filhos. Pode parecer difícil no início,mas se você se possibilitar conhecer a respeito dos seus gatilhos, sobre o que te tira dos eixos e treinar nas situações do dia a dia, vai se tornando cada vez mais possível ter uma atitude positiva.

Vamos entender através de um exemplo prático.

Criança : “Eu te odeio!”

Adulto autoritário: “Você não pode me dizer isto. Me respeite pois sou sua mãe. Ficará uma semana sem celular.”

O adulto autoritário ensina a criança que ela não pode expressar o que sente, nem aprender sobre a maneira correta de expressar esse sentimento. Perderá a oportunidade de conversar sobre a razão do que a fez sentir raiva. A criança provavelmente ficará ainda mais enraivecida, ativando ainda mais o andar de baixo do cérebro e não conseguirá fazer a integração dos dois andares (a razão com a emoção).

Vamos analisar agora como um adulto PERMISSIVO – o que também não promove a aprendizagem da gestão emocional na criança.

Criança: “Eu te odeio!”

Adulto permissivo: ” Meu amor, por que você odeia o papai? O que eu fiz? Vamos ao shopping comprar um presente para passar sua raiva?”

Neste caso, a criança aprende que deve afastar as emoção “negativas” por que elas são ruins. E perde a oportunidade de aprender a geri-las e de compreender que essas emoções existem e não podem ignorá-las. Perde a oportunidade de aprender sobre resolução de conflitos e não conversa a respeito do motivo que a fez sentir raiva.

E qual seria a maneira adequada de intervir nestas situações?

Criança: “Eu te odeio!”

Adulto: “Nossa! Você está mesmo zangada” – Acolheu a emoção.

“Qual a razão de você está tão zangada? É por que não te comprei o brinquedo?” – Convidou o andar de cima para se juntar ao de baixo para que assim a criança avalie a circunstância que a deixou com raiva.

” Eu não comprei pois não tenho dinheiro neste momento. Você pode ficar zangada se preferir, ou podemos pensar em uma forma de resolver isto.” – Este adulto age de maneira positiva, convida a criança a integrar os dois andares do cérebro. Ensina sobre tomada de decisão e resolução de conflitos e pode ensinar ainda qual seria a maneira adequada de elaborar a emoção e falar sobre o impacto do que  criança diz pode ter nos outros.

 

Ana Flora Medeiros

Psicóloga Parental

Pós-graduada em Parentalidade Positiva

Especialista em Neuropsicologia

Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento

 

 

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