Você cuida ou superprotege e controla?

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É difícil responder a essa pergunta. Sobretudo por que há uma linha muito tênue entre o cuidado, o controle e a superproteção com as pessoas que amamos. Ainda mais se você viver em uma sociedade em que o medo IMPERA, pode ficar bem difícil conseguir compreender até onde é cuidado, a partir de quando vira controle e superproteção e ainda quando se torna negligência.

Cuidar e proteger são definitivamente as questões da parentalidade em que não há negociação. Afinal de contas, preservar a segurança de quem a gente ama, principalmente os nossos filhos, parece ser o que mais nos faz sentido. Mas será que a gente tem deixado eles experimentarem o mundo? Será que temos deixado eles “saírem da bolha”. É possível “sair da bolha em segurança?” “Será que estamos evitando que as crianças encarem o mundo?”

Muito se pode fazer para não ultrapassar a linha do cuidado sem precisar colocar seu filho em uma situação de risco. O controle e a superproteção tem mais a ver com NOSSA dificuldade de controlar a  ansiedade em educar a criança e buscar sempre evitar situações de frustrações. E essa busca por privar a criança de situações frustrantes vem sempre acompanhada de uma boa intenção e um sentimento de que estamos fazendo a coisa certa. O que dificulta ainda mais a percepção da situação disfuncional. A intenção desse post não é que a partir de agora você se torne permissivo e nem negligente, sobretudo se você precisa desenvolver estratégias para se proteger e proteger a sua família do risco da violência.  A intenção é trazer reflexão e quem sabe deixarmos de ser “pais e mães helicópteros” – os que estão sobrevoando as vistas de todos e prontos para aterrissarem ao mínimo sinal de socorro-  e nos tornamos “pais e mães submarinos” – pais que cuidam, que estão sempre por perto mas que nem sempre estão as vistas.

É trabalhoso encontrar o limite entre o cuidado e o controle e a superproteção. Cuidar exige um investimento muito alto, e encontrar a maneira PERFEITA de o fazer talvez não seja o melhor caminho. O melhor caminho definitivamente é aquele onde podemos melhorar e nos transformar sempre, aceitando que esse caminho pode não ser linear, pode ter diversos obstáculos e pode exigir nossa capacidade de ir em busca de novas possibilidades.

 

Ana Flora Medeiros

Psicóloga Parental

Pós-graduada em Parentalidade Positiva

Especialista em Neuropsicologia

Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra.

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