Estratégias para resolver conflitos entre irmãos. Será que é hora de pedir ajuda profissional?

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Você pode viver se perguntando por que seus filhos brigam tanto… e se você teve irmão ou irmãos talvez tenha esquecido como pode ser difícil lidar com as diferenças, conseguir dividir algo que é suposto ser dos dois ou de mais filhos, disputar o melhor lugar no carro, quem aperta o botão do elevador e assim vai.

São inúmeros os fatores que podem despertar a competição, mas na verdade, a principal razão é que os filhos disputam exclusividade e precisam ajustar suas necessidades ao convívio social. A relação entre irmãos acaba por ser uma das primeiras oportunidades para isso acontecer. Para os pais, muitas vezes esses atritos dão a sensação de culpa: primeiro, por não conseguirem evitar as brigas e, depois que elas acontecem, por fracassarem ao tentar solucioná-las.

Mesmo com fartura, brinquedos e atenção suficientes, os conflitos irão acontecer porque é apenas uma forma de ajustamento. E é importante lembrar que não há relação sem conflitos. Quando então, nós como pais, devemos realmente nos preocupar com os conflitos? Estes, devem ser motivo de preocupação, quando a criança insiste em denegrir e agredir física ou psicologicamente o outro e quando essas questões estiverem afetando alguma das crianças nas atividades que envolvem o seu dia a dia.

Segue 10 estratégias para ajudar pais, cuidadores e educadores a intervirem nos conflitos entre irmãos:  

-Pare, se dê um tempo e respire: entenda que todas as relações, eventualmente, experienciam conflitos. E as relações parentais e familiares não são diferentes, por que a de irmãos seria? Precisamos lembrar que mesmo os conflitos acontecendo nas relações, as pessoas continuma se amando. Tudo isto é normal e todas as famílias enfrentam estes problemas. Portanto, em um momento de conflito, tente não dar asas aos impulsos e agarre a oportunidade para praticar autorregulação. 

-Ao invés de resolver o conflito, ajude e ensine-os a fazer isto: Não adianta nos envolvermos, resolvermos o conflito por eles e 10 minutos depois eles estarem brigando pelo mesmo motivo. Seu papel quanto educador é se envolver de uma maneira que a conversa seja possível e que você consiga ajudá-los na resolução.  

-Ensine a dividir: muitas vezes no momento da disputa por um brinquedo por exemplo, tendemos a retirar o objeto de disputa do meio. Na verdade, essa tática será inútil porque logo em seguida eles estarão disputando outro objeto. O que é preciso fazer é conseguir que as crianças entrem em acordo e garantir que o acordo seja cumprido. Essa dica só funcionará, óbvio, se a criança for cognitivamente capaz de realizá-la. Crianças de 2/3 anos ainda não compreendem bem a possibilidade de dividir, visto que ainda estão muito centradas em si mesmo. Se essa for a situação, o melhor a fazer é distrair uma da crianças com outra possibilidade de brincadeira.  

-Elimine frases prontas que reforçam esteriótipos e os gritos: “Irmãos não brigam!”  “Irmãos precisam ser melhores amigos” “Thiago, seu irmão é mais novo. Não consegue entender isso?” Essas frases não agregarão nada de positivo às crianças. Sem falar nos gritos que mostram incapacidade do adulto de se autorregular e de ensinar sobre isto. 

-Cuidado para não favorecer quem é mais novo: os pais podem até exigir uma postura mais amadurecida do mais velho, mas quem tem de dar conta da educação são os adultos. O nível de exigência deve ser proporcional à idade, mas sempre buscando ouvir os dois lados e ensiná-los a melhor forma de ajustamento baseado nas competências que cada um apresenta.

  

-Imponha limites sem ofender ou humilhar: além de não fazer comparações, não devemos censurar a criança com adjetivos que agridam sua autoestima, dizendo, por exemplo, que ela está parecendo um bebezinho. O certo é desaprovar o comportamento, não a criança, de preferência usando exemplos positivos. Outra dica é tentar despertar a empatia delas. Perguntar, por exemplo, como se sentiria se estivesse no lugar do irmão. Isso ajuda a entender o ponto de vista dos outros e a ceder. Por tréguas mais longas e um pouco de tranquilidade na casa, não custa tentar. 

-Ambiente de tranquilidade: numa casa onde há sempre tensão, gritos, brigas, como você espera que seus filhos se comportem? Da mesma maneira que você. Lembre-se: pais são sempre modelos.  

-Pais precisam cuidar de si mesmos: a primeir regra do modelo português da Parentalidade Positiva da Magda Gomes Dias é: PAIS FELIZES = FILHOS FELIZES. Portanto, os pais precisam estar atentos a suas necessidades básicas e se elas estão sendo atendidas. E eu diria que além das necessidades básicas aquelas que podem soar como nem tão básicas assim, mas que no fundo parecem ser essenciais para seu bem estar. Dê ouvidos as suas vontades também. A partir do momento em que os pais estiverem de bom humor, com satisfação em relação a vida, tudo fica mais tranquilo. E os filhos irão se inspirar no seu bem-estar e satisfação.

Ana Flora Medeiros

Psicóloga Parental

Pós graduada em Parentalidade Positiva

Especialista em Neuropsicologia

Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra

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